Pessoas 50, 60, 70, 80+: o futuro do trabalho já envelheceu

Artigo de Jorgete Lemos, colunista do RH Pra Você e diretora da AAPSA, publicado originalmente em RH Pra Você em 13/08/2026. Republicado no blog da AAPSA com autorização da autora.

Por que viver mais está transformando o trabalho, a carreira e as organizações?

Quem acredita que viverá até os 90 anos? Quem está preparando sua carreira para durar até essa idade?

Se a vida profissional pode durar 50 ou 60 anos, por que continuamos administrando carreiras como se elas terminassem aos 60?

O aumento da longevidade está alterando, silenciosamente, uma das principais estruturas sobre as quais construímos nossa sociedade: a relação entre idade, trabalho, carreira e contribuição.

A questão já não é apenas quanto tempo viveremos, mas em que condições viveremos, trabalharemos e permaneceremos socialmente relevantes.

A longevidade mudou as regras do jogo

  • Aumento da expectativa de vida;
  • Crescimento da população 60+;
  • Pessoas chegando aos 80, 90 e 100 anos;
  • Extensão das trajetórias profissionais.

Estamos planejando carreiras de 30 anos para vidas profissionais que poderão durar 50 ou 60 anos.

A questão não é envelhecer — é o etarismo e ouvir:

  • Você está velho para aprender;
  • Procuramos alguém com energia;
  • Vai aposentar logo;
  • Pessoas 50+ não se adequam aos ambientes;
  • Um elogio disfarçando o etarismo: você é superqualificado(a).
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O futuro do trabalho não é jovem — é intergeracional.

É a hora da Inteligência Intergeracional.

Todas as gerações podem aprender, ensinar, inovar e utilizar tecnologia. O diferencial está na combinação de repertórios, experiências, linguagens, perspectivas e formas distintas de solucionar problemas.

Longevidade não é homogênea

De que pessoa idosa estamos falando? Não existe uma única experiência de envelhecimento.

Uma mulher negra 60+ teve uma trajetória completamente diferente de:

  • um homem branco 60+;
  • uma mulher branca de alta renda;
  • uma pessoa com deficiência;
  • uma pessoa LGBTQIAPN+;
  • alguém que trabalhou no mercado informal;
  • alguém com carreira executiva;
  • alguém que chegou à aposentadoria com patrimônio.

Não existe “o” envelhecimento. Existem envelhecimentos.

“O envelhecimento é acompanhado por mudanças funcionais que variam amplamente entre indivíduos e são influenciadas pelas condições de vida, trabalho, saúde, renda, ambiente e acesso a recursos ao longo do curso de vida.”

Envelhecer não é igual para todos.

O recorte racial

As desigualdades acumuladas ao longo da vida não desaparecem quando uma pessoa chega aos 50 ou 60 anos. Ao contrário, podem se aprofundar.

Vamos conectar: racismo + mercado de trabalho + renda + escolaridade + saúde + aposentadoria + longevidade e o resultado é o acúmulo de desigualdades ao longo do curso de vida.

E o que as empresas precisam fazer?

  1. Contratar sem limite etário oculto. Revisar critérios de recrutamento e seleção.
  2. Desenvolver sem prazo de validade. Garantir aprendizagem contínua para todas as idades.
  3. Promover sem pressupor idade máxima. Carreira não pode ser automaticamente interrompida pela proximidade da aposentadoria.
  4. Criar ambientes intergeracionais. Não basta colocar diferentes gerações na mesma empresa. É preciso fazê-las interagir e colaborar.
  5. Medir a diversidade etária. O que não é medido permanece invisível.
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“Experiências acumuladas ao longo da vida podem contribuir para o desenvolvimento de repertórios de enfrentamento, adaptação e resiliência — embora essas capacidades também possam ser desenvolvidas em diferentes fases da vida.”

A longevidade está transformando o mundo do trabalho…

Entretanto, as organizações ainda administram idade com paradigmas construídos para uma sociedade mais jovem.

O etarismo desperdiça conhecimento, experiência, capacidade de aprendizagem e diversidade.

O futuro das organizações dependerá da capacidade de transformar diversidade geracional em inteligência intergeracional.

Longevidade, um outro olhar

1 – Longevidade como estratégia empresarial
A longevidade deixou de ser exclusivamente uma questão de saúde e passou a impactar pessoas, talentos, carreira, consumo, inovação e sustentabilidade dos negócios.

2 – Longevidade com equidade
Viver mais só representa progresso quando as oportunidades de viver, trabalhar, aprender e pertencer também são distribuídas com equidade.

3 – Inteligência intergeracional
A capacidade organizacional de combinar diferentes experiências, perspectivas, conhecimentos e formas de aprendizagem para produzir melhores decisões e resultados.

4 – Letramento geracional
A capacidade de compreender como idade, geração e curso de vida influenciam — sem determinar — experiências, expectativas e relações no trabalho.

5 – Pontes intergeracionais
A passagem de uma lógica de convivência entre gerações para uma lógica de colaboração, aprendizagem e construção conjunta.

6 – Envelhecimentos
Não existe uma experiência única de envelhecimento. Classe, raça, gênero, deficiência, orientação sexual, trajetória profissional, território e condições econômicas produzem diferentes formas de envelhecer.

7 – Escassez produzida pelo etarismo
Ao excluir pessoas pela idade, organizações não apenas praticam discriminação: reduzem artificialmente seu próprio universo de talentos, experiências e possibilidades.


Sobre a autora: Jorgete Lemos é CEO da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços – Consultoria Organizacional, diretora da AAPSA e colunista do RH Pra Você. O conteúdo desta coluna representa a opinião da autora.

Obrigado!

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Esperamos que este material contribua para inspirar novas práticas e fortalecer a cultura de equidade em sua organização.

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